Cientistas descobrem novas espécies de Escorpiões em Roraima
Escorpiões que brilham sob luz ultravioleta levam cientistas a descobrir duas novas espécies em Roraima.
Em junho de 2026, a professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara, e sua equipe descreveram duas novas espécies de escorpião, batizadas de Brotheas cernii e Cayooca puchus. Elas foram encontradas perto da Cachoeira do Evandro, em Mucajaí, a 60 km de Boa Vista. A descoberta foi publicada na revista científica Diversity.
Luz negra na floresta
Nas expedições noturnas, os pesquisadores usaram lanternas de luz ultravioleta, a chamada luz negra, para localizar os animais. Os escorpiões brilham sob essa luz, o que facilita encontrá-los na mata escura. A equipe também produziu fotografias em luz branca e UV com um estereomicroscópio para observar em detalhe as estruturas do corpo.
"Ilhas ecológicas" na Amazônia
As duas espécies foram encontradas em um inselberg, formação rochosa isolada que se ergue em meio à floresta e funciona como uma "ilha ecológica". Esse isolamento por milhares de anos favorece o microendemismo, ou seja, espécies muito especializadas e exclusivas de condições ambientais restritas. A contrapartida é a fragilidade: segundo Pucca, as novas espécies são extremamente sensíveis às condições ambientais.
Uma década de pesquisa
O trabalho começou em 2016, quando Pucca ainda era vinculada à Universidade Federal de Roraima (UFRR). Ele envolveu instituições do Brasil e do México e teve apoio do grupo de pesquisa Snakebite, da UFRR. Em reconhecimento à contribuição científica de Cerni, uma das espécies recebeu o nome Brotheas cernii.
Potencial para a saúde
A expectativa é que as toxinas ajudem em pesquisas de medicamentos contra dor, hipertensão, doenças cardiovasculares e distúrbios neurológicos, além de bioinseticidas. A equipe já iniciou estudos dos compostos produzidos pelas novas espécies.
Muito ainda por descobrir
A própria pesquisadora levanta a pergunta: se duas espécies inéditas surgiram em uma única região investigada, quantas outras ainda existem sem ser conhecidas? A equipe planeja novas expedições a Roraima para ampliar o levantamento da fauna local. O achado reforça a importância de proteger áreas pouco exploradas pela ciência.






